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“Expert Group Meeting: UNESCO/COL Guidelines on OER in Higher Education”

Tel Amiel (Unicamp/ Comunidade REA) e Bianca Santana (REA-Brasil/ Comunidade REA) estão participando do encontro para produzir recomendações para a promoção de recursos educacionais abertos no ensino superior.
Sally Johnstone (Winona University), Bianca Santana e Tel Amiel
Veja abaixo a programação e os participantes da reunião:
Taking OER beyond the OER Community: Policy and Capacity
4 July 2011
Room VII, UNESCO Fontenoy
7, place de Fontenoy 75007 Paris
9:30
Opening Panel:
Chair : Sir John Daniel, CEO and President,
Commonwealth of Learning (COL)
- Opening and Welcome :
Mr Indrajit Banerjee,
Director, Knowledge Societies Division, Communication and Information Sector, UNESCO
Ms Stamenka Uvalic-Trumbic,
Chief, Section for Higher Education, Education Sector, UNESCO
- Setting the Scene: Purpose of this Document
Sir John Daniel,
CEO and President, Commonwealth of Learning (COL)
10:45
Tea/Coffee Break
11:00
Working Group Session1: Review of the Guidelines by Stakeholder Section
- Group 1 – Governments
- Group 2 – Institutions
- Group 3 – Teaching Staff and Student Bodies
- Group 4 – Quality Assurance Bodies and Recognition Bodies
13 :00
Lunch Break
14:30Plenary: Report Back From the Working Group Session
16:00
Tea/Coffee Break
16:30Plenary: Next Steps
17:00Closing
ANNEX I –
Proposed Groups for the Working Session ‘Review of the Guidelines by Stakeholder Section’
| Title | First Name | Last Name | Institution | Country | Region | Stakeholder Group | |
| Ms | Bianca | Santana | OER Brazil | Brazil | LAC | Government/ Insitutions |
|
| Mr | Minh | Do Ngoc | Viet Nam Foundation | Vietnam | Asia Pacific | Government | |
| Ms | Svetlana | Knyazeva | UNESCO, Moscow | Moscow | Europe | IGO | |
| Ms | Catherine | Ngugi | OER Africa | Kenya | Africa | Government/ Insitutions |
|
| Dr |
Helen Francis |
Seaman | Dominica State College | Dominican Republic | LAC | Government/ Insitutions |
|
| GROUP 2 – Institutions | |||||||
| Dr |
Gráinne |
Conole | Open University/ OPAL |
United Kingdom | Europe | Teaching Staff | |
| Prof | Peter | Donkor | College of Health Sciences of the University of Science and Technologies Kumasi | Ghana | Africa | Institution | |
| Ms | Pamela | Dottin | Open University of the West Indies | Jamaica | LAC | Institution | |
| Ms | Jenny | Glennie | SAIDE | South Africa | Africa | Institution | |
| Dr | Sally | Johnstone | Winona University | USA | Europe | Teaching Staff | |
| Dr | Ninnat | Olanvoravuth | ASAIHL | Thailand | Asia Pacific | Insitutions | |
| Mr | Tel | Amiel | tamiel@unicamp.br | Brazil | LAC | Institution | |
| Ms | Jutta | Treviranus | Inclusive Design Research Centre and Inclusive Design Institute, OCAD University | Canada | Europe | Institution | |
| Ms | Nevena | Vuksanovic | ESU | Serbia | Europe | Students | |
| Dr | Freda | Wolfenden | Open University, UK (TESSA Project) | United Kingdom | Europe | Teaching Staff | |
| GROUP 4 – QAA Bodies/Recognition Bodies | |||||||
| Dr | Nadia | Badrawi | ANQAHE | Egypt | Arab States | QAA | |
| Mr | Kevin | Guillaume | NARIC – Belgium Francophone Community | Belgium | Europe | Recognition Body | |
| Dr | Antony | Stella | Australian Universities Quality Agency (AUQA)/ APQN | Australia | Asia Pacific | QAA | |
REA no FISL
Hoje, 29 de junho, começa a 12a edição do Fisl (Fórum Internacional do Software Livre), em Porto Alegre. Há muitos debates e encontros que tratam de educação e tecnologias livres, como é possível ver aqui.
E amanhã, dia 30, às 15h, acontece o debate sobre Recursos Educacionais Abertos, na sala 41-A fisl 1. A ideia é convidar todos os presentes a trocarem ideias e experiências, num clima de desconferência. Figuras importantes da nossa comunidade estarão presentes:
- o Deputado Federal Paulo Teixeira, proponente do PL 1513/2011 sobre REA;
- Nelson Pretto, professor da UFBA;
- Sergio Amadeu da Silveira, professor da UFABC;
- Aaron Shaw, pesquisador de Berkeley/Harvard;
- Jon Phillips, do Acawiki;
- Daniela B. Silva;
- Pedro Markun;
- Bianca Santana.
Sintam-se convidados e ajudem a divulgar, por favor
“A Secretaria Municipal de Educação entendeu que não fazia sentido manter o material produzido com recursos públicos sob direito autoral restrito…”
Publicado originalmente em: http://www.portalsme.prefeitura.sp.gov.br/anonimosistema/detalhe.aspx?List=Lists/Home&IDMateria=769&KeyField=Arquivo%20de%20Not%C3%ADcias
A partir desta terça-feira, 7 de junho, todos os materiais didáticos produzidos pela Secretaria Municipal de Educação estarão sob licenças Creative Commons. Isso permitirá que outras redes de ensino, municípios e Estados utilizem os conteúdos produzidos pela Rede Municipal de Ensino, desde que para fins não comerciais. Quem usar o que foi produzido em São Paulo para produzir um novo material deverá licenciá-lo e disponibilizá-lo da mesma forma.
O Creative Commons é um projeto mundial, mas ainda pouco conhecido e considerado vanguardista. Essas licenças surgiram para acompanhar as novas necessidades criadas pela internet. O direito autoral impede a reprodução de materiais produzidos para quaisquer fins sem a devida autorização do autor. Isso dificulta o uso de dados para fins não comerciais e para a disseminação das informações.
A Secretaria Municipal de Educação entendeu que não fazia sentido manter o material produzido com recursos públicos sob direito autoral restrito, já que muitas vezes esses conteúdos são solicitados por outros municípios e Estados para fins didáticos e para a expansão de experiências educacionais bem sucedidas em uma das maiores cidades do país.
Entre os materiais disponíveis para download estão as Orientações Curriculares para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, Orientações Didáticas para a Educação de Jovens e Adultos, Programa Ler e Escrever (todos no site da Biblioteca Pedagógica) e os manuais produzidos pelo Departamento de Merenda Escolar.
Especialistas das áreas de Educação, Cultura e Tecnologia falaram sobre a iniciativa da Secretaria de Educação paulistana:
“No meio de tanta notícia ruim, uma luz se acende na capital paulista. Acabo de saber que a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo vai disponibilizar na internet – sob uma licença Creative Commons – todo o conteúdo de orientação aos professores, inclusive os guias de estudo e planos de aula. Isso significa que todos poderão compartilhar o material e criar obras derivadas, desde que assegurados os devidos créditos da criação original. É fácil imaginar o que isso significará em economia de recursos públicos para centenas de pequenos municípios brasileiros, que poderão adaptar o material às suas realidades sem gastar um centavo do orçamento. A luta pela educação pública de qualidade não pode ser vitimada por diferenças partidárias. O exemplo de São Paulo deveria ser seguido pelas demais administrações. Agora resta torcer para que os próximos prefeitos de São Paulo, não importando de que partidos sejam, mantenham essa importante iniciativa.”
Fernando Morais, escritor, ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo
“O futuro da educação está diretamente ligado à tecnologia. A criação de Recursos Educacionais Abertos (REA´s) é um passo importante na criação de uma infraestrutura educacional em sintonia com as possibilidades da tecnologia da informação. O uso da licença Creative Commons permitirá o amplo acesso e disseminação dos recursos educacionais produzidos pelo município de São Paulo e também a possibilidade de que esses recursos possam ser coletivamente atualizados e aperfeiçoados. Em síntese, a iniciativa aproxima da sociedade o esforço continuado de promover a educação e reconhece a tecnologia e a colaboração como aliadas da gestão do conhecimento.”
Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons Brasil
“Há alguns anos, gestores comprometidos com o compartilhamento do conhecimento passaram a orientar a utilização das licenças Creative Commons nos sites das instituições que dirigiam. Foi assim no Ministério da Cultura do Governo Lula, pioneiro desse movimento em âmbito nacional. Foi assim na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, pioneira desse movimento na maior cidade do país. Iniciativas como essa apontam para a compreensão de que precisamos repensar as noções de autoria, compartilhamento, colaboração no mundo digital. Que precisamos reequilibrar a relação entre o direito dos autores e a utilização livre pelas pessoas. A indústria da intermediação, típica da era industrial, não pensa assim e combate aqueles que trabalham para atualizar o nosso mundo. É nosso dever, como cidadãos conscientes, fazer a defesa de iniciativas como essa.”
Rodrigo Savazoni, comunicador, ciberativista e um dos criadores da Casa de Cultura Digital
“Produzir conhecimentos de forma colaborativa é o papel da escola. A educação tem de ter isso em mente, em todas as suas ações. As políticas públicas precisam fortalecer essa ideia e a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, ao licenciar todo o seu site em creative commons, não só dá um importante passo à frente nessa direção, como promove de forma positiva a ampliação das possibilidades colaborativas em todo o poder público municipal, com importantes reflexos para os Estados e a nação. Esse não é um pequeno passo. É um salto de qualidade para a educação em nosso país.”
Nelson Pretto – professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Conselheiro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia
“A proposta da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo de licenciar o conteúdo produzido no seu site é uma notável iniciativa de reconhecimento e apoio ao acesso livre, ao compartilhamento de conteúdos e à re-utilização de informações públicas. Esse licenciamento permitirá que usuários do site possam acessar conteúdos livremente, compartilhá-los com terceiros e modificá-los em usos não comerciais, desde que citem a fonte e mantenham os termos da licença. Com essa medida, a secretaria adequa sua política de direito autoral a práticas estabelecidas dos usuários de Internet, demonstrando conhecer e reconhecer as novas formas de compartilhamento e produção colaborativa propiciadas pela rede.”
Pablo Ortellado, professor da USP-Leste, membro do GPOPAI, Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação.
“A iniciativa da Secretaria Municipal de Educação de desenvolver recursos educacionais abertos, liberando todo o conteúdo do site da SME pela Creative Commons com a licença: “Atribuição – Uso Não Comercial – Partilha nos Mesmos Termos (CC BY-NC-SA)” – constitui uma inovação importante em direção à democratização e qualificação do ensino e um passo fundamental nesse momento de retrocesso na política federal de flexibilização do copyright.
Eu apoio essa iniciativa!”
Giuseppe Cocco, Professor Titular da UFRJ e membro da Univerdidade Nômade.
“É louvável a iniciativa da Secretaria Municipal de Educação de licenciar os conteúdos disponibilizados em seu site por meio de uma licença Creative Commons. A atitude mostra como a gestão pública pode contribuir efetivamente para a melhoria das políticas relacionadas ao acesso ao conhecimento e ao direito à educação, que guardam relação direta com os direitos autorais. Num país como o Brasil, que possui uma das piores legislações autorais do mundo, especialmente em virtude de suas poucas possibilidades educacionais, uma ação governamental como essa contribui sensivelmente para a consecução efetiva do interesse público. Os serviços educacionais, tendo sua dinâmica cada vez mais estruturada em recursos educacionais abertos e acessíveis a toda a população beneficiarão estudantes, autores, professores e consumidores em geral.”
Guilherme Varella, advogado do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor)
“Com esse importante passo, a Secretaria de Educação de uma das cidades mais ricas do País, onde milhões são gastos com educação e na compra de materiais educacionais, reconhece a importância dos recursos educacionais abertos para promoção de educação mais inclusiva e democrática. O uso de licenças do Creative Commons em materiais educacionais desenvolvidos ou pagos pela cidade de São Paulo irá ‘tirar da sombra’ alunos e professores que necessitam acessar e utilizar materiais educacionais no seu dia a dia. Mas não é só isso. Essa adoção beneficia toda a sociedade que agora poderá também acessar e utilizar o material quando não tiver fins de lucro. Esse passo também possibilitará a troca de experiências em relação ao uso de tais recursos.”
Carolina Rossini, Berkman Fellow, Advocate for OER in Brazil, and Peer2Peer University community member.
“Muito tem sido dito sobre a qualidade da educação e sobre a importância do acesso a materiais didáticos. A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo vai além do discurso e investe, de fato, no compartilhamento da informação e do conhecimento, aumentando as oportunidades educativas de todas as pessoas, mesmo as que não estão matriculadas nas escolas. A escolha de um licença que permite o remix, convida à autoria todas as professoras e professores da rede, reconhecendo seu papel fundamental e ativo na educação. Que outros gestores sigam este importante exemplo de otimização de recursos públicos, de valorização dos profissionais da educação, e de ampliação do acesso a materiais didáticos de qualidade.”
Bianca Santana, comunidade brasileira de recursos educacionais abertos, membro da Casa da Cultura Digital.
“Ao liberar os conteúdos didáticos como recursos abertos e licenciados em Creative Commons, a Secretaria Municipal de Educação demonstra que as redes digitais são aliadas da democratização e melhoria dos processos educacionais. As redes podem e devem ser utilizadas para ampliar nossa inteligência coletiva e incentivar um processo de compartilhamento e recriação permanente.”
Sergio Amadeu da Silveira, Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas – CECS da Universidade Federal do ABC – UFABC
“A decisão da Secretaria Municipal de Educação de licenciar todo o conteúdo do seu site pela Creative Commons é histórica. Primeiro porque utiliza uma ferramenta contemporânea que tem impacto direto na economia do recurso público, permitindo compartilhamento de informações educacionais com outras cidades, sem custo. Do ponto de vista simbólico, a decisão também é importante: significa um suspiro de vanguarda em um mundo político contaminado pela caretice e medo do novo. Espero que essa decisão seja copiada, no melhor espírito creative commons, por todas as outras secretarias, e depois por todos os outros níveis de governo.”
Ale Youssef, Produtor cultural, sócio do Studio SP, fundador do site Overmundo e colunista de política da revista Trip
REA na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo
SP vai colocar todo seu material pedagógico na internet
Para utilizar as obras, internautas deverão citar a fonte e não poderão fazer uso comercial
A partir de amanhã, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo vai colocar todo o seu material pedagógico na internet com a licença Creative Commons. Ou seja: o download das obras de todos os programas e projetos da pasta estará disponível no site da secretaria para quem quiser, desde que a fonte seja citada e o uso não seja para fins comerciais. O endereço é http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br.
A ideia surgiu porque, desde que o Programa Ler e Escrever passou a ser implementado, em 2006, a pasta passou a receber solicitações de municípios e Estados de todo o País interessados em utilizar o material. O programa objetiva melhorar as habilidades de leitura e escrita dos alunos do ensino fundamental da rede municipal paulistana.
“Não tínhamos uma forma adequada de licenciar tudo isso”, disse o secretário Alexandre Schneider. “Começamos a pesquisar e achamos interessante o seguinte: como temos os direitos daquilo que foi desenvolvido, porque foi criado na própria secretaria, entendemos que seria correto fazer um licenciamento que permitisse que qualquer um pudesse utilizar e adaptar os materiais nos quais já tínhamos gasto nossos recursos.”
Segundo o secretário, a pasta optou por esse tipo de licença porque ela permite que o usuário utilize o material do jeito que bem entender. “Ela possibilita que quem queria usar recorte, cole e anexe tudo ou partes do material, desde que coloque a fonte e o novo material produzido não gere lucro.”
Obras. Entre os materiais que estarão disponíveis no portal da secretaria há obras para todos os temas que a pasta aborda em suas políticas públicas: educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação especial, informática educativa, educação étnico-racial, cadernos de orientação didática e livros voltados para a recuperação em língua portuguesa e matemática. Além disso, as orientações curriculares para educação infantil e ensino fundamental, as orientações didáticas para Educação de Jovens e Adultos (EJA) e as obras do Programa Ler e Escrever também vão estar online para o público interessado.
Schneider acredita que, dessa forma, a secretaria vai compartilhar o conhecimento produzido com outras cidades. “Existem municípios que não têm condições de desenvolver esses materiais”, disse.
Inovação
ALEXANDRE SCHNEIDER
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE SP
“A discussão dos recursos educacionais abertos é um debate de ponta que existe nas principais universidades.”
REA em grupo de estudos aberto
Para quem está chegando à conversa sobre REA, cultura livre, cultura digital e usos de tecnologias na sala de aula, o mundo de informações disponíveis na rede pode assustar. O Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital é uma ótima oportunidade para se iniciar e aprofundar o debate sobre as relações e possibilidades entre educação e tecnologias digitais.
Além de textos introdutórios e a indicação de referências importantes, o grupo convida seus participantes a construírem conhecimento juntos, de maneira colaborativa. As conversas não tem hora marcada e é possível participar no horário mais conveniente para cada um.
Todo o conteúdo oferecido pela organização do grupo e construído por seus participantes está licenciado em CC-BY-NC (Creative Commons Não-Comercial), que permite remix e compartilhamento desde que se atribua a autoria e não seja utilizado com fins comerciais. Na página interna do grupo, disponível aos usuários cadastrados, é possível ver o logo da licença.
A participação é gratuita e aberta a educadores e demais interessados no tema. Basta fazer o cadastro: http://educarnaculturadigital.org.br/01_formulario.asp
Para saber mais sobre o grupo e os outros temas propostos visite: http://educarnaculturadigital.org.br/default.asp?pag=01_ogrupo.asp
REA na Campus Party 2011
Na quinta-feira, dia 20, às 16h45, conceitos e experiências REA serão apresentados na mesa Educação e Cultura Digital – uma combinação necessária. Bianca Santana, da comunidade REA Brasil, debaterá com Priscila Gonsales – Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital GEO-ECD, Luciano Meira – Cesar – Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OjE) e Debora Sebriam – educadora do Centro Educacional Pioneiro.
Mais debates sobre educação na Campus, no blog do EducaRede.
Por que materiais didáticos devem ser acessíveis a todas as pessoas?
O governo acaba de negociar 880 milhões 263 mil 266 reais e 15 centavos para a compra de livros didáticos. O PNLD – Programa Nacional do Livro Didático – é o maior programa de compra de livros do mundo e devemos nos orgulhar disso. Mas o que precisamos mudar – e com urgência – é o que compramos. Não, não estou falando que os livros são ruins. Estou falando que precisamos comprar o conteúdo dos livros, em vez de zilhares de páginas impressas. O que compramos hoje são exemplares físicos de livros. Com o recurso recém negociado, compraremos 135,6 milhões de exemplares de livros. Mas o conteúdo continua sendo de propriedade das grandes editoras ou dos autores dos livros. Isso significa que uma professora do interior do Pará não pode aprimorar as poucas linhas dedicadas a seu estado no livro de Geografia, porque todos os direitos – de alterar, distribuir, traduzir ou reproduzir o que ela recebeu do governo – continuam não sendo dela, nem do governo, nem meu, nem seu. O símbolo do copyright que vem estampado nos livros comprados com dinheiro público impede que o livro seja adaptados a diferentes realidades locais e que alguém que não esteja matriculado na escola tenha acesso ao que foi pago por todos.
Qual a ideia então? Que os materiais educacionais pagos com dinheiro público pertençam ao público. E pros que ficam preocupados com as finanças das editoras, as cifras indicam que não há motivo pra isso: nesta compra, a Editora Moderna vai receber R$ 161.366.197,83 , a Editora FTD R$162.933.319,18 e a Editora Ática R$148.288.428,80. Está tudo muito bem pago! Pra quem duvida ou quer mais argumentos, recomendo ver a apresentação “Acesso ao Livro Didático e ao Livro Técnico Científico no Brasil” e a leitura do relatório “O mercado de livros técnicos e científicos no Brasil” , produzidos pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP (Gpopai). Mas alerto para o risco de você se tornar ativista pelo conhecimento livre. Os dados científicos são convincentes…
Com a expansão das tecnologias digitais, o conteúdo educacional pago por todos nós pode estar disponível a qualquer pessoa que tenha acesso à Internet em casa, no trabalho, em telecentros ou em lan houses. E acho que ninguém duvida do potencial transformador do acesso ao conhecimento.
E os materiais educacionais não se limitam aos livros. Temos softwares, planos de aulas, artigos, filmes, músicas. E diversos especialistas recomendam a utilização de recursos variados nas salas de aula. O problema é que hoje tal prática é ilegal. As professoras e professores brasileiros que – sem intuito de lucro algum, com o único objetivo de ensinar – reproduzem filmes ou músicas protegidos pelo copyright nas salas de aula estão cometendo crimes. A atual lei do direito autoral não permite exibição pública sem autorização, mesmo para fins educacionais, de material audiovisual.
Esta lei, apesar de ser chamada de Lei dos Direitos Autorais, defende a preservação de um modelo de negócio em detrimento do acesso ao conhecimento e da proteção justa do esforço criativo do autor. Ela defende os interesses da indústria do copyright, que retoma constantemente o mito da originalidade, ignorando que a humanidade gera conhecimento a partir do que já foi criado por outras pessoas. A produção acadêmica, por exemplo, pressupõe a construção de conhecimento com base no que outros construíram. Uma obra de arte – seja ela um texto, um vídeo, uma imagem, uma escultura, um som, um movimento – é criada com base numa herança comum, no que outros criaram. O professor de direito da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Lawrence Lessig, mostra no livro “Cultura Livre: como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade”, de 2005, como a própria indústria do copyright se baseia em produções anteriores. Walt Disney criou o Mickey Mouse, em 1928, a partir de um personagem do filme mudo “Steamboat Bill”, do cineasta Buster Keaton. Branca de Neve, Cinderela e tantas outras personagens de seus desenhos animados são derivadas dos contos registrados pelos irmãos Grimm, já em domínio público.
A atual Lei de Direitos Autorais Brasileira (nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) é das mais restritivas do mundo. Segundo a Consumers International IP Watch List, pesquisa global que classifica as leis nacionais de copyright em relação à promoção do acesso ao conhecimento, o Brasil tem a 4ª pior legislação do mundo. Pela lei brasileira, em nenhuma situação é permitido fazer cópia integral de uma obra sem autorização prévia e expressa do detentor de direitos autorais. Isso significa que mesmo o autor de uma obra, ao publicar um livro por uma editora e reservar a ela todos os direitos, não poderá copiar ou distribuir seu livro sem a autorização da empresa.
A boa notícia é que esta lei está em processo de modificação. De 14 de junho a 31 de agosto deste ano, o Ministério da Cultura Brasileiro promoveu uma consulta pública à nova Lei de Direito Autoral e foram registradas no período 8.431 manifestações sobre o projeto – de apoio, rejeição ou propostas de nova redação. Diversas entidades ligadas à educação – como a Ação Educativa, o Instituo Paulo Freire e o Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária ) – elaboraram uma série de propostas de alteração da lei para incentivar o compartilhamento de materiais educacionais. Precisamos agora acompanhar a sistematização que o Ministério da Cultura fará do projeto e trabalhar para que o Congresso seja favorável à expansão do acesso ao conhecimento, à educação e à cultura, aprovando uma nova lei que esteja a serviço da maior parte das pessoas.
Para inspirar nossos parlamentares, vale lembrar que a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos coloca a necessidade de equilíbrio entre o direito à cultura e o direito de autor. O artigo XXVII, define como direitos universais, relacionados, que: (1) toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios; e que (2) toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor. É hora de equilibrar!
ReaCamp
O melhor registro do ReaCamp, sem dúvidas, foi feito pela Mila Tonarelli, em tempo real, no PiratePad. A Mila, aliás, propôs uma dinâmica interessante pro encontro: cada um dizer, em poucas palavras, as ideias REA que gostaria de ver acontecendo. Isso permitiu que todas as pessoas tivessem seu momento de fala garantido, sem impedir a troca – com acordos, dúvidas e saudáveis embates.
Estavam presentes professores – com uma visão bem pragmática do que são REA no chão da escola; editores – com preocupações comerciais e logísticas; pesquisadores – com um viés mais investigativo e comparativo dos temas; gestores de diferentes projetos e pessoas que se encaixavam em mais de um perfil. Os temas abarcaram desde a necessidade de produçao massiva de conteúdo em língua portuguesa (e como tornar isso viável) , passando por um tira-dúvidas bem prático sobre como licenciar materiais de educandos, até como a cultura digital pode estar em toda a produçao de conhecimentos na escola, e não só nos recursos e conteúdos.
As quase quatro horas de encontro foram bastante intensas e levantaram questões interessantes para continuarmos a debates. Elenco algumas delas abaixo e peço aos que estavam lá que me ajudem a completar:
- Como pensar REA além de uma concepção conteudista da educação?
- Como expandir REA para fora da escola? Para experiências educativas que não sejam formatadoras e – segundo alguns – falidas, como a escola?
- Como criar massa crítica para saber que materiais traduzir, publicar?
- Como trabalhar a expressividade de alunos na produçao de conteúdos em diferentes linguagens?
- Como fomentar que as universidades produzam material didático livre?
- Como estimular que educadores e educandos sejam autores, reconhecidos como tal?
- Como fomentar a cultura de colaboração e compartilhamento nas escolas?
- Como as universidades e as escolas podem se engajar na produção de conteúdo em língua portuguesa?
- Seria mais efetivo estimular que indivíduos ou grupos produzam REA? Ambos? Como?
- Como engajar professores e estudantes em produzir conteúdo relevante em vez de se dedicarem a atividades “educativas” sem sentido?
Quem quer pagar pelo professor digital?
Do Pará a São Paulo, de educadores a editores e cineastas. Foram diversos os sotaques e as experiências trocadas sobre educação popular, software livre, ativismo, REA, tecnologias e linguagens durante o encontro “Educação e Cultura Digital”, no segundo dia do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Em vez de algumas pessoas, definidas previamente, apresentarem suas experiências e responderem a perguntas, como estava previsto, o encontro floresceu como uma roda de conversa horizontal em que as cerca de 40 pessoas presentes puderam se apresentar e discutir os temas que surgiam.
Priscila Gonsales (@prigon) abriu a conversa apresentando o Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital: “Queríamos dar o salto: TIC nao é apenas ferramenta. Queríamos falar de cultura digital o clique se deu no ano passado, no primeiro Fórum!” Priscila lembra que a educação não era um tema privilegiado na programação e comemora o avanço deste ano. Robson Sampaio partilhou as conquistas e os projetos da Rede Mocambos e da Casa de Cultura Tainã. “Foi um trabalho dos negros com os meninos largados pras drogas, a boa idade e os chamados de loucos”, conta Robson sobre a trajetória inclusiva e inovadora dos projetos da comunidade.
Jader Gama trouxe a fantástica experiência do Puraqué, no Pará. Por desacreditarem na escola, como hoje ela funciona, alguns ativistas da cultura digital procuraram a secretaria municipal de educação de Santarém para propor um projeto com alunos. Segundo Gama, eles descobriram, sete meses depois, que deixar os professores fora do processo foi um grande erro. Decidiram então envolver as professoras, que resistiam inicialmente, mas que acabaram se encantando com a proposta. Em oficinas de metareciclagem, parte do processo de educação de professores, os 33 laboratórios de informática das escolas da cidade foram melhorados. E um servidor parrudo foi instalado em cada um deles. Autonomia e criatividade são as palavras de ordem do projeto que assume agora o desafio de colocar programação de software como disciplina curricular nas escolas. “Os alunos que sabem programar vão conduzir a disciplina sob orientação das professoras”, propõe Gama.
Barbara Dieu explicitou os quatro Rs necessários pra que materiais educacionais sejam considerados recursos educacionais abertos: reuso, revisão, remixagem e redistribuição. Bee também contou sua experiência como professora de língua estrangeira, que sempre buscou uma aprendizagem relevante com seus alunos, mesmo antes do uso das tecnologias digitais ” Pra que trabalhar um texto que não tem significado nenhum, nem pra eles nem pra mim, só por exercício?” A educadora mostrou como o engajamento em processos colaborativos interessam aos alunos e facilitam o aprender.
Bianca Santana apresentou a comunidade REA e convidou os presentes a se envolverem com os debates que tratam das liberdade do software livre e da cultura livre na educação. Trouxe a experiência do Projeto Folhas e do Livro Didático Público, do Paraná, como boa política de REA que educa o professor, o valoriza como profissional, autor e ator-chave no processo educativo, e produz material didático de qualidade.
Algumas pessoas pontuaram a resistência de professores e escolas nos usos das tecnologias digitais, mas Milada Tonarelli falou de como essa realidade já avançou: “Hoje é diferente do que era há 10anos. Há resistência, mas muitos laboratórios já estão abertos, por exemplo.Nós evoluímos”. E o professor José Carlos Antonio provocou: “escolas, pais, governos, a sociedade toda quer o professor digital, mas quem quer pagar pra ter esse professor?” Diversas pessoas completaram a pergunta de José Carlos. Além de salário decente e hora para se dedicar às TIC também fora da sala de aula, é preciso o investimento em infra-estrutura, equipamento adequado e processos educativos continuados. Quem quer pagar a conta?
*pra este post foram remixados tweets publicados durante o debate por @biancasantana, @bdieu, @vanerodrigues, @miladatgon, @liliansta, @soniabertocchi @prigon @deborasebriam @educaredebrasil @minhaterra @Editora_Moderna
Oficina do Connexions no II Fórum da Cultura Digital Brasileira
“Oficina assim pequena é ótimo porque dá pra conversar bastante”, comemorou Jorge Sallum, membro da comunidade REA e diretor da Editora Hedra, assim que acabou a oficina do Connexions realizada ontem, 15/11, no Fórum da Cultura Digital. Fomos seis os que acompanharam o encontro do começo ao fim: Bianca, Luciana, Tom, Eri, Jorge e Abdo. Algumas pessoas que estavam no espaço “Hands Off”, onde acontecia o encontro, acompanhavam pelo áudio, e outras paravam para assistir trechos da palestra de Daniel Williamson. Como afirmou Jorge, a troca dos que participaram foi muito bacana.
Pela plataforma DimDim, Daniel apresentou os princípios da educação aberta, que norteiam a plataforma, deu detalhes sobre o Connexions e respondeu a perguntas dos brasileiros. Falamos sobre o desejo e a possibilidade de traduzir a ferramenta para português, sobre a distribuição de usuários do CNX pelo mundo e sobre a impressão de livros abertos pelo governo da Califórnia.
Hoje, dia 16, às 18h30, a comunidade REA participa de um debate sobre Educação e Cultura Digital.
E amanha, dia 17, das 9h às 11h, tem REA-Camp!






